domingo, 15 de junho de 2008

A casa do mar

Casa construída na duna...separada
Um mundo de unidade...isolamento
Ar varrido de brisa... perfumada
Nevoeiro imóvel de tormento

As dunas...a praia, limite de olhar
Areia molhada que o mar alisou
Poisam gaivotas...passeio...andar
Vento que dobra o olhar que secou


Esfuma-se o inculto transparente
Espelhos reflectem o ressoar dos dias
Casa secreta...aberta, virada a poente
Veemência solitária em que agonias


Vento cintila vazio, disposto à nortada
Janelas despolidas pelo morder fosco
Reflexos vagabundos...luz destapada
Pensamento que emerge na beleza do rosto

domingo, 1 de junho de 2008

Tok'Art - Primeiro Aniversário

Lento. Em reserva.
Lento para aqui dar lugar, de modo fiel, ao testemunho de um tempo, de uma data.
Lento porque se demora sempre a bem saber pronunciar o que tarda ainda em chegar à própria morada.
De um tempo em reserva haveria pois que aproximar e reinventar, justamente, os silêncios de um corpus em curso.
E da velocidade ou fulgurância que talvez se nos escapa, restará sobretudo o apelo a uma urgente responsabilidade…
Aí onde a inquietude ou a provação do que se faz esperar nos toca, ousemos avançar, mesmo lentamente, mas sem fugir, em direcção ao que não esperará mais, ao que tardará mesmo em chegar…
Lento. Levemente compassado.
Promessa de celebração na lentidão de um evento digno deste nome.

Texto Tok'Art (www.tokart.org)

terça-feira, 8 de abril de 2008

Invoco-te

...querida amiga encantada

Como flor...de paixão que enfeita
Maravilhado...ansioso de um só beijo
Sonho magia...sublimado de gracioso desejo

Tens o azul do céu no teu ser
Voz melódica...aroma doce e delicado,
Sorriso lindo de violeta e opala
Pele pura, tocante...subtil perfume que exala

Mãos franzinas de graciosa criatura
Corpo...lindo, que com ele me confundo
Lábios carnudos...modelados de doçura
Vassourinha ppura que desponta para o mundo

Olhos sinceros resplandescentes de certeza
Alma grandiosa, ampla luz por natureza

Num saco de papel tudo me entregas-te
Só o meu coração em agonia sondo e meço
Desculpa...sem sentido...o meu eu complexo
Pondero a razão...razões que eu mesmo desconheço

És tu que pressinto levar para um naufrágio...e perder-te
Delicia sem fim...princesa de resplandescente aurora
Por tudo o que és...
Sinto-te...muito...adoro-te...e por isso a minha alma chora

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Os nossos olhos não falam

Os nossos olhos não falam
Mas tudo dizem afinal
Quando as nossas bocas se calam
Logo eles, traiçoeiros…dão sinal

O tempo é como a água…a fugir
Tal como vento que por nós passa
Gota de orvalho a bulir
Até que o brilho do Sol a desfaça

Anseio o imenso olhar devagar
Na pele, no tempo e no espaço
Tal como o mar, a terra e o ar
Em busca da cor do teu abraço

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Sabor intenso

Sabor intenso...enorme doçura cravada
Amargura imprevista, inútil razão
Resplandecente beleza de flor perfumada
Aresta deliciosa, suspensa... linda perdição

Sabor...sensações de imenso ardor
Abraço intenso, cintilante confusão.
Realismo tímido, bulício de esplendor
Alma formosa, deliciosa sensação

Puro recorte de solidão agarrada
Grito desmedido da longínqua miragem
Desespero rude de dor suportada
Refugio profundo para adiar a viagem

............

Criatura que se deixa rebolar sem razão.
Vestida de pedra e verdadeira sedução
Paradoxo do sempre sem justificação.

............

Que ninguém me dê piedosos segredos
Porque de tanto amar com ela me confundo
Olhos deslumbrantes... corpo de enredos
Bebedeira arrastada pela moral do mundo

Doce amiga com falta de alma mimada
Pedaços, tramóias... impassível cegueira
Consolo sisudo do nada
Um abraço como existência derradeira

Ao fundo do corredor...

Ao fundo do corredor ouviam-se passos
A obscuridade da noite penetrava pelas janelas
Só o desejo se fazia ouvir...
O rosto diluíra-se na nudez da alma.
Permanecia imóvel,
Olhava através da janela a vida
Os lençóis mantinham-se intactos
O luar saboreava-lhe o corpo.
Sorria ao entregar
Os seus pensamentos á noite
Que a consumia e lhe rasgava o corpo
Invadindo-lhe a alma,vislumbrando-lhe o olhar
Era feliz,
Entre o olhar que lhe percorria a alma
À muito sentira a entrega de um amor
E aprendera a viver
O fundo do abismo
Não possuía espaço para mágoas
As lágrimas escorriam pelas paredes
Lavavam o seu interior desnudando a alma
Sentia-se leve,olhava
Voava por cada esquina deserta
Tocava o silêncio e
Abraçava-se ás árvores
Cobria-as com o seu calor
Sorria-lhes e elas beijavam-na de vida...
Mas a noite ao de leve
Caia-lhe sobre o corpo
Já cansado e adormecido
As pálpebras desenhavam o descanso
Cobriam-lhe a imagem.
Adormecera no silêncio da noite
Sobre o seu respirar na ausência
Do tempo que se perdera...

Saboreando

Lá fora...suspensa doce noite de verão
Doce silêncio de sede estendida
O vaivém repousado da agitação
Noite de espaços nos astros esculpida

O vidro a cal o espelho e a madeira
Lugar encontrado ondulado frio e certeiro
Contemplação do universo que se esgueira
Movimento de retracto que desabrocha inteiro

A forma das coisas, fresco parapeito
Aliança intima suspensa bebida
Gritos que se erguem bordados no peito
Memória invisível...escolha apetecida

Brilho polido, imprevisto odor
Isolamento vidrado do vento
Perfume doirado, intenso calor
alma livre, fatal tormento